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DEUS E O PROBLEMA DO MAL: NÃO MERECEMOS SOFRER?


Hab 1:3   “Por que me mostras a iniquidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e o litígio se suscita.” 
 
    Toda a filosofia está calcada na premissa socrática da maiêutica*; por isso, a filosofia grega tem sua origem nas inquietações e dúvidas dos homens. Eles deduziam sua lógica através das observações e, consequentemente, chegavam a conhecimentos, a princípio, ocultos. É interessante notarmos que a Filosofia como a Bíblia, reconhecem um interlocutor para estas indagações: o TU Divino. Este, muitas vezes, é substituído pelo espírito do homem (como na filosofia existencialista),  outras vezes pelo ego  (budista), ou ainda, como o espírito universal proposto pela filosofia de  Hegel. 
A Bíblia reconhece aquele a quem o homem pode fazer perguntas das suas inquietações, a saber, o Deus Absoluto. Nele não há impossíveis! Ele está sempre pronto para ouvir as perguntas dos homens.  NEle não há variação ou mudança, pois é a fonte de tudo o que existe. E, isto, não somente no sentido de causa e efeito, mas como a própria razão do existir, do pensar e do agir de todo ser humano.
Habacuque, no verso acima, está perplexo por Deus permitir o mal. Aqui devemos fazer a devida distinção entre o ‘mal’ e o mau’. A primeira, (mal) – significa o contrário de ‘bem’. Já a segunda (mau) é o contrário de ‘bom’, aquilo que qualifica o ser. A palavra mau, como adjetivo, é, necessariamente, um atributo ou qualidade de um ser; nunca qualidade de algo inanimado. Desta forma, jamais poderemos dizer (e nem a Bíblia diz) que Deus é um ser mau. A Bíblia é enfática ao afirmar sempre que Deus é bom (Naum 1:7). Como poderia um Deus bom fazer o que é mau?
Assim, o que Habacuque questiona é o mal que, a seus olhos, provém  de uma ação de Deus. Queremos destacar, neste artigo, que nem sempre nossa leitura leva a conclusões acertadas, uma vez que deixamos de considerar o contexto das coisas. Especialmente no que diz respeito a Deus, procuramos respostas rápidas para culpá-lo e desculpar-nos como seres fracos e finitos. A Bíblia chama os filhos dos homens de cegos. Como poderia um cego ver e entender todas as coisas? Muitas vezes, nossa arrogância filosófica deposita a culpa em Deus por causa dos erros dos homens.
Utilizando o método socrático podemos raciocinar primeiro, por que Deus fizera o profeta ver a violência e a opressão?; segundo, Deus seria o responsável pelo mal? Ao formular respostas a tais perguntas, Habacuque tenta, como veremos, desculpar Deus ( o que se chama em teologia de teodicéia). E, assim como ele, estamos todos construindo conceitos a partir de nossas dúvidas, a partir dos erros ou das verdades  que os nossos olhos pecadores conseguem ver. A Filosofia rejeitou a Bíblia (no Iluminismo) como fonte de informação. Mas para nós ela é a fonte de todas as dúvidas e mistérios do universo. Por que é a Palavra de Deus, é a informação de que necessitamos para a vida e para a compreensão de quem é Deus, de quem é o ser humano e do porquê do atual estado da criação.  Não pretendemos  defender as Escrituras Sagradas neste artigo, porque fugiríamos do assunto aqui tratado. Mas é importante frisar que o profeta Habacuque, assim como nós, está construindo conceitos. Ele faz suas observações pelo método cognitivo, tentando compreender que Deus é esse. (?)
Poderíamos pensar que isto é mal aos nossos olhos, mas há males que vem para o bem. E isto faz parte da construção de nossas vidas por Deus.  O mal sofrido por Jesus, praticado pelos homens maus, foi transformado em salvação. Que isto seja a nossa certeza e alegria!  Ele é o Deus totalmente bom em essência e amor infinito!
Pr. Ede
 
*Maiêutica: (do grego) significa parir, dar à luz. Sócrates procurava extrair a verdade da alma do indivíduo, instigando as reflexões. A esse método dá-se o nome de “maiêutica”. A verdade é relativa, depende de cada um de nós. CAMPOS, Vera L.T.P. de Góes, Apostila de filosofia, aula n.6, p.1.