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Cinco Razões Pelas Quais Não Evangelizamos

Mike McKinley14 de Julho de 2014 – Evangelização

O Novo Testamento compele o povo de Deus a levar o evangelho para o mundo. Jesus deu aos seus discípulos uma ordem permanente de ir e fazer discípulos (Mt 28.19). Ele lhes disse que eles se tornariam pescadores de homens (Mt 4.17). Pedro aconselhou as igrejas da Ásia Menor a estarem prontas quando as pessoas fizessem perguntas sobre a sua esperança (1Pe 3.15).

Mas parece que algo saiu dos trilhos. Muitos cristãos não vivem como pescadores de homens. Não são muitas as pessoas que nos perguntam sobre a esperança que temos em Cristo, e quando elas perguntam, nós não estamos prontos para dar uma resposta. As igrejas evangélicas falam muito sobre evangelismo, mas de acordo com pesquisas, a maioria dos membros de igreja não compartilham a fé com muita frequência.

Por que não evangelizamos?

Eu gostaria de sugerir cinco razões pelas quais igrejas e membros de igreja não compartilham o evangelho como parte do curso normal da vida. Outros artigos sugerem maneiras de remediar essa situação, mas por agora, nos atentemos a diagnosticar o problema.

1. As igrejas isolam os cristãos dos incrédulos

Em primeiro lugar, as igrejas isolam os cristãos dos incrédulos. Em outras palavras, muitos cristãos não conhecem nenhum incrédulo. Embora nossas vidas diárias nos coloquem em contato regular com muitas pessoas que não conhecem Jesus, é fácil passar pela vida sem ter relacionamentos próximos com qualquer uma delas.

As igrejas permitem esse isolamento de algumas maneiras. Muitas igrejas organizam uma série de programas nas noites dos dias de semana e, então, definem se um membro de igreja é bom em termos de presença em tais programas. Como resultado, os calendários de muitos cristãos são cheios de atividades na igreja e há pouco tempo para convidar vizinhos e colegas de trabalho até suas casas.

Além disso, algumas congregações cultivam hostilidade para com o mundo. Conforme nossa cultura se torna cada vez mais explicitamente hostil ao cristianismo e à moralidade bíblica, é fácil permitir que se estabeleça uma mentalidade de defesa. Quando isso acontece, o mundo lá fora se torna um bicho papão e a maneira pela qual o povo de Deus continua santo é mantendo a distância dele. Então os cristãos vivem vidas em trilhos paralelos aos do mundo, com suas próprias escolas, negócios, ligas esportivas e programas de escotismo, mas pouquíssimas chances de construir relacionamentos com incrédulos.

2. Nós acreditamos que o evangelismo é extraordinário

Uma segunda razão pela qual os cristãos não evangelizam é por acreditarem que se trata de algo extraordinário. Nós suspeitamos que o evangelismo é apenas para aqueles que possuem o dom do evangelismo, ou para pastores e outros cristãos profissionais. Então simplesmente não se sentem capazes de compartilhar o evangelho. De tempos em tempos as pessoas na minha congregação trazem amigos ou familiares até mim para que eu fale de Jesus para elas, e eu tenho que desafiá-las a tomarem coragem e fazerem elas mesmas! Afinal, em Atos 8.1-4 não são os apóstolos, mas cristãos “normais” que levam a mensagem a respeito de Jesus para fora de Jerusalém e para o resto do mundo.

3. As igrejas não falam sobre o custo de seguir Jesus

Em terceiro lugar, nossas igrejas não falam sobre o custo de seguir Jesus. Contudo, o evangelismo pode ser custoso. Realmente não há como contar às pessoas que você crê que Deus tomou carne humana, sendo nascido de uma virgem e então, após ter morrido em uma cruz, ressuscitou e subiu de volta aos céus, sem ao menos correr o risco de perder o favor delas. Mas tudo bem. O Apóstolo Paulo diz que Deus intencionalmente nos salva de uma maneira que parecerá louca aos “sábios” do nosso mundo (1Co 1.18-29). Nossa mensagem não será bem recebida por aqueles que estão perecendo, mas será como um cheiro fétido em suas narinas (2Co 2.14-16).

Se eu entendi Paulo corretamente, na verdade, é parte do plano de Deus que você sofra um pouco enquanto compartilha o evangelho. Se você não concorda, leia o livro de Atos e tome nota cada vez que uma pessoa compartilha o evangelho e algo ruim acontece com ela.

Mas muitas igrejas nunca confrontam seus membros com a realidade de que seguir Cristo lhes custará algo. Nós lhes ensinamos que Deus só está preocupado com eles e com a sensação de bem-estar deles. Então, quando chega a hora de pagar o preço e compartilhar o evangelho, muitos de nós simplesmente não estamos dispostos a perder as nossas reputações.

4. Nós buscamos resultados imediatos

Quarto lugar, nós buscamos resultados imediatos. É claro que é fácil ficar desencorajado quanto ao nosso evangelismo. Talvez tenhamos lido um livro ou ouvido um sermão e saído para compartilhar a nossa fé, apenas para ficarmos mais desencorajados quando nada acontece visivelmente. Penso que muitos cristãos simplesmente desistiram do evangelismo por terem feito um esforço e não terem visto nenhum resultado.

Mas simplesmente não estamos em uma posição de julgar o que Deus está fazendo em cada situação específica. Pode ser que no plano de Deus nós sejamos a primeira pessoa em uma longa fila de pessoas que evangelizarão alguém antes que ela venha a Cristo. Posso pensar em muitos exemplos de conversas e esforços evangelísticos que pareciam uma perda de tempo. Muito mais tarde, fui descobrir que aquela pessoa havia vindo a Cristo.

O evangelho é o poder de Deus para a salvação (Rm 1.16), e a palavra de Deus é viva e poderosa (Hb 4.12-13). Nós devemos cultivar confiança de que o Senhor, que dá o crescimento, completará a sua redenção. Ele salvará almas. Ele frequentemente não fará isso de acordo com a nossa programação, e ele pode não escolher as pessoas que nós escolheríamos. Mas ele nos usará se formos fiéis.

5. Nós não somos claros na mensagem

Uma razão final pela qual não evangelizamos é que não somos claros na mensagem. Quando alguém pede para se unir à nossa igreja, uma das coisas que eu peço é que a pessoa resuma brevemente a mensagem do evangelho (em aproximadamente 60 segundos). E eu sempre fico surpreso com a quantidade de cristãos que acham difícil fazer isso. Não é que eles não creem no evangelho — eles creem. Não é que eles sejam ignorantes — muitos deles conhecem as suas Bíblias muito bem. E embora eles possam ficar nervosos ou surpresos com a pergunta, ainda é uma tendência preocupante. Não há como compartilhar o evangelho se você não está preparado para compartilhar o evangelho.

Tradução: Alan Cristie

Como vai a sua igreja?

Oziel Alves

Não é novidade para ninguém. Nas últimas duas décadas, milhões de igrejas evangélicas em todo o mundo, passaram por grandes transformações. Algumas nos usos e costumes; outras tantas no próprio ritual de culto. Na música houve um avanço considerável. Nas artes, conquistas inimagináveis. No sermão de exortação um abrandamento da palavra, privilegiando muito mais a prosperidade e a felicidade terrena do que mesmo “a vida eterna” como a maior recompensa para os sofrimentos deste mundo.  Para ganhar as massas a Igreja aderiu à mídia. Investiu em marketing, programas de relacionamento e entretenimento. E, assim como o mundo corporativo, passou a adotar técnicas – de evangelismo, discipulado, formação de liderança e gestão de pessoal -, muito semelhantes às estratégias utilizadas pela administração secular, como a definição de metas e público-alvo. Resultado? Templos superlotados.

Mas, afinal, diante de tantas novidades que tem incrementado a população das igrejas será que o “evangelho pregado” está sendo relevante para as pessoas? Ou é a mídia, a boa música e os programas de entretenimento que têm levado multidões à congregar numa denominação? Será que a inserção de programas estratégicos cada vez mais criativos, tem ajudado no crescimento espiritual de seus membros ou estes programas apenas tem mantido a membresia ocupada?

Cientes de que quando se trata de crescimento espiritual, números não necessariamente determinam o sucesso de um ministério, uma das igrejas evangélicas que mais se destacam na ênfase em métodos estratégicos de treinamento e discipulado, a Willow Creek Community Church (WCCC), com sede em Chicago (EUA); na pessoa de seu fundador Pastor Bill Hybels – Líder desta organização que envolve mais de 12 mil igrejas associadas em 35 países – admitiu publicamente no último Leadership Summit (uma conferência internacional realizada para cerca de 80 mil lideres eclesiásticos em todo planeta) que alguns dos projetos e estratégias, que há muito tempo eram, utilizados e aplicados pela igreja, com o fim de executar a missão: “transformar pessoas ímpias em seguidores verdadeiramente comprometidos com Cristo”, apesar dos excelentes resultados numéricos, não estavam contribuindo para o amadurecimento espiritual de sua membresia. Uma afirmação no mínimo desconfortável para uma organização multimilionária que há 30 anos tem estimulado a liderança de igrejas evangélicas espalhadas por todo o planeta a reproduzir seus programas, métodos e estratégias, já que aparentemente eles produziam bons resultados.

A constatação do pastor Hybels teve base numa pesquisa qualitativa intitulada Reveal: Where are you? (Revele: Onde você está?) que, realizada entre os anos de 2004 e 2007 com os membros da própria Willow Creek e outras 30 igrejas, “revelou resultados estrondosos e inimagináveis” diz Hybels. “Queríamos saber quais os programas e atividades da igreja estavam realmente auxiliando as pessoas a amadurecer espiritualmente e quais não atingiam essa meta”.  A surpresa ficou por conta da revelação dos resultados.

Na opinião daquelas pessoas que ainda não haviam se decidido por Cristo e também daquelas que após a conversão davam os primeiros passos na fé, a igreja obteve a seguinte classificação “atende plenamente as nossas necessidades”. Porém, um quarto daqueles que se auto-intitularam “Pertos em Cristo, isto é pessoas que já passaram da fase “primeiro amor” ou ainda “maduros na fé” declararam estar insatisfeitos com o papel da igreja em seu crescimento espiritual. Mais alarmante ainda foi descobrir que 63% deste público, que frequenta esta Igreja referência, considerou deixar a denominação. Foi aí, que o alarme soou em todo o mundo. Afinal, como uma igreja que é tida como referencial de programas e estratégias para ganhar e consolidar pessoas pode chegar a esta conclusão?

“Nós cometemos um erro” admite o pastor que agora pretende fazer modificações nos cultos do meio de semana e inclusive no culto de domingo. Como? Possivelmente, diminuindo o entretenimento e ministrando a palavra de forma mais efetiva e contundente. “Descobrimos que algumas das coisas em que investimos milhões de dólares, pensando que auxiliariam as pessoas a crescer e a se desenvolver espiritualmente, não estavam ajudando tanto.” No entanto programas mais simples, aqueles que privilegiam os aspectos mais básicos da vida cristã, e que ironicamente não exigem tantos recursos para serem postos em prática, foram justamente as coisas das quais os membros mais sentiram necessidade na igreja. “O que nós deveríamos ter feito quando as pessoas cruzaram a linha da fé e se tornaram cristãs, era ensiná-las que é de sua responsabilidade a busca pelo alimento espiritual. Nós deveríamos ter cuidado das pessoas, ensinado-as, a ler suas Bíblias entre os cultos e como praticar suas disciplinas espirituais mais agressivamente e por contra própria” constatou o líder.

Bill Hybels chamou a pesquisa de “O despertar de sua vida adulta” e sua sinceridade em admitir o erro, lhe rendeu muitos elogios, mas também críticas pelos 5 continentes. Também pudera, depois de se destacar com uma das 25 pessoas mais importantes, entre as personalidades americanas, seus passos e livros tem sido seguidos à risca por milhões de líderes, e seus projetos e idéias tem influenciado milhares de igrejas, inclusive no Brasil.

Entre erros e acertos, uma coisa é certa: A igreja pode inovar em todas as áreas, porém a palavra de Deus permanecerá imutável. O crescimento espiritual tão discutido e almejado por muitos, nunca dependerá de programações suntuosas, espetáculos, 40 passos, simpósios, conferências e estratégicas de marketing. Esta condição necessária à vida de todo cristão só pode ser adquirida através do jejum, da oração, do relacionamento com Deus à sós, da leitura bíblica diária, da comunhão em Cristo e do relacionamento sincero com os irmãos.  E estas coisas? Bem, elas não precisam de grandes investimentos. O evangelho é simples. É para todos e está acessível até as mais humildes congregações.

Na bênção!!! Tudo Pelo Reino

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