Moisés Noé Moisés: Uma análise do cinema visto pela Linguística e pela Bíblia.

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Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.  E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme” 2 Pd 2:1-3.

Estou fazendo uma paródia da brincadeira do Pr. Cláudio Duarte que disse: Noé: Noé [não é]! E agora temos: Moisés Noé, Moisés! O que dizer sobre esses filmes bíblicos que estão passando no cinema? Porque a pós modernidade têm visões tão estranhas? Neste texto gostaria, de maneira pessoal, expor alguns pensamentos bíblicos e ao mesmo tempo demonstrar algumas cosmovisões que vieram com a pós modernidade e ao mesmo tempo ser crítico dentro da arte cinematográfica dos nossos dias.

Até hoje, o que chamamos de pós modernidade é difícil definir, isto por uma razão muito simples: estamos dentro desse período, por isso, analisar e pensar dentro da época em que se está nos dá um conhecimento parcial. Mas como temos que pensar tudo a luz das Escrituras, e julgarmos as coisas, especialmente por sermos “protestantes”, não podemos deixar certos filmes deturparem algumas verdades bíblicas.

Vivemos em um mundo confuso e estranho! Isso não é novidade, mas a diferença do paradigma do século passado é que antes não se acreditava em Deus. Nasci no século do ateísmo filosófico, este, o século XX, foi chamado de o século sem Deus, não sei se você sabe mas tentaram eliminar Deus de todos os lugares: da escola, da TV, das músicas, do cinema, etc…, mas hoje, [chamado século XXI], chegamos a um ponto em que tudo tem uma “força” sobrenatural, parece que “deus” de alguma forma é aceito em todos os lugares, como alguns afirmam: “não eliminamos “deus”, mas o construímos a nossa Imagem e conforme a nossa Semelhança“.

Olhando por essa perspectiva, vê-se que em nossos dias há espaço até para evangélicos gospel na TV, (será que é lucro?), ou seja “deus” era ignorado pela Mídia, mas agora Ele é algo necessário e importante diante de uma sociedade que vivia “sem deus”, do século passado,[religião dá dinheiro]. Mas é preciso lembrar que o “deus” que conhecemos dentro desta época é um “deus relativo”, um “deus útil” e legal que me ajuda quando preciso. Ele é mais um tipo dentro dos milhares de deuses que existem. Isto, para nós cristãos é inaceitável, especialmente se conhecemos o Deus da Bíblia. Há um único Deus, vivo e verdadeiro revelado em 3 pessoas distintas, mistério, mas real!

Num mundo tão relativista não cabe  um “Deus Absoluto” que impõe sua Palavra e requer fidelidade absoluta. O mundo não aguenta o Deus Bíblico, porque não aceita Bíblia. Basta olhar para o filme Avatar e veremos que “as crenças tradicionais do Cristianismo” são derrubadas pelo “Panteísmo” (tudo é deus) ou ainda que a natureza precisa de respeito como uma deusa, vê-se que cada vez mais, deus é confuso e incompreensível, ele mais parece uma força impessoal do que um ser supremo, eterno e imutável. Como Francis Schaeffer salientou (em seu livro a Morte da Razão) que todas as artes, “sem Deus”, tendem a se tornar autônomas e autodestrutivas. Isto está acontecendo especialmente no cinema.

Ao olharmos para os filmes, Noé e Êxodo perguntamos: porque os autores destes filmes, usam ideias bíblicas e ao mesmo tempo reconstroem todo o texto dando uma interpretação tão diferente e distante da Bíblia? 

Que versão apócrifa é essa que não está na Bíblia? Vou ampliar a pergunta: Porque, na literatura Dan Brown com o seu livro “O Código Da Vinci”, usou aspectos verdadeiros da história e os interpretou reconstruindo a história num grande “pastel” fazendo-nos duvidar da “interpretação histórica e verdadeira do cristianismo”?;  e ainda, fazendo-nos duvidar até sobre o caráter impecável do Senhor Jesus? Temos razões para crer que isto tem uma intenção por trás, no mínimo “maligna” e destrutiva, pois, usar a Bíblia dando a entender outras coisas é negar por completo o conceito da veracidade da Bíblia.

O nome deste tipo de “interpretação” dentro dos estudos linguísticos é chamado de “teoria sócio pragmática desconstrucionista”, ou “teoria metalinguística”, (teoria além da linguística). Quando escrevi minha tese de doutorado trabalhei esse tipo de literatura e descobri que isso vem de alguns autores esquisitos dentro da linguística. Não há tempo para descrever todas as implicações, mas essa é uma forma de se olhar para um texto negando totalmente as afirmações do texto, ou seja, através da dúvida, vamos ver, não o texto, mas desconstruindo-o para examinar algo que seria possível. Veja que Roland Barthes levantou dois níveis de entendimento dentro da teoria que ora estudamos:

“O primeiro, é o tradicional código de valores incorporado pela burguesia e o segundo, é que ofereceu uma metalinguagem ou linguagem descritiva da realidade. Este primeiro nível ele chama de “grau zero”, com um significado in absentia, (ausente) e o segundo, como o lado escondido que é a contraparte num sistema em pares, isto é binário.1 Barthes via a interpretação como um espelho que reflete o oposto simétrico.”[1]

Isto significa que as interpretações tradicionais que nós temos dos fatos da história ou da Bíblia, por exemplo, têm várias camadas de interpretação. O problema, são essas camadas Segundo ele, é preciso remover as camadas [da religião por exemplo], para demonstrar a história verdadeira. O que estes autores estão fazendo é desconstruir a história impondo uma interpretação distante do texto. Simplesmente dizendo que a Bíblia não fala a verdade, ela tem camadas textuais da religião. Vamos examinar um pouco dessa teoria para entender as razões que estão por traz destes filmes. Alguns pressupostos destas teorias, as quais eu não creio que sejam verdades, podem ser vistas praticamente da seguinte forma:

1) A Bíblia não é o que parece. Aplicando isso a Bíblia, podemos entender que há coisas que não foram reveladas pelo autor. Noé, não foi bem como o Gênesis disse; Moisés não foi do jeito que o Êxodo mostrou.

É interessante notar que essa teoria despreza a “Palavra de Deus” como está e a interpreta de maneira a desacreditar tudo o que a Bíblia diz. O liberalismo teológico do Método Histórico Crítico (MHC) tinha essa mesma interpretação sobre os milagres do N.T. [Bultmann] sobre os textos do A.T., aquilo que aconteceu [von Rad] é uma forma em que Israel ou a Igreja criou, isto é a fé os fazia ver coisas que nunca existiram.

O velho lema do liberalismo teológico que desprezou a Bíblia, porque ela não cabia dentro da nossa maneira de viver. Isto é extremamente pernicioso contra a fé, pois qual é a versão correta? A da Bíblia ou da interpretação destes autores? Claro que fico com a Escritura.

2) Precisamos pensar que a história tem vários lados de interpretação.  Aplicando isso a Bíblia foi o que eles quiseram com Noé e Moisés. Quem conhece a Bíblia não consegue compreender porque há tanta divergência. Moisés parece um “louco” falando com uma criança que ninguém vê, mas é um “deus” mais palatável dentro da posmodernidade.

Tão diferente do filme “Os 10 mandamentos” com Charlton Heston em que mesmo com uma visão americanizada da história, ainda assim foi mais fiel a Bíblia. Noé é um homem completamente diferente do Noé bíblico. A ideia é impor uma interpretação alternativa a da Bíblia intentando tirar a camada da religião. Mas, creio que é para derrubar a verdade bíblica. Não negamos a história, mas apresentamos um lado bem diferente. Vamos ver e afirmar alguns aspectos do Êxodo dos quais não abrimos mão:

1) Deus está no controle soberano da história. O filme nega isto demonstrando um “deus” muito aquém, [sem comparação] com o grandioso Deus da Bíblia;

2) Moisés agiu com a certeza da presença de Deus. O filme nega isso completamente ao mostrar um Moisés [e Noé também], meio “louco” e sem noção. A Bíblia chama Moisés de o “homem mais manso de toda a terra”, [Nm 12:3]. Assim, somente uma história tão linda sobre a vontade de Deus sobre o seu povo poderia nos dar um Moisés manso e trabalhado por Deus.

3) As pragas foram maravilhas de Deus para mostrar o poder do SENHOR para o Egito e para o nós também. O filme acaba com o poder de Deus dando a entender que os “milagres” na terra do Egito foram uma série de “causas e efeitos” de determinadas coisas e não uma ação de Deus. Quero lembrar que a Bíblia nos mostra que cada praga atingia deuses egípcios: Vamos ver isto agora:

1a praga – águas transformadas em sangue – “deus Nilo” chamado de Hep ou Hapy

2a praga – a multiplicação das rãs – “deus  sapo -repteis”  chamado de Amonet ou Ramras

3a praga – piolhos – o pó da terra se transformou em piolhos – os magos do Egito por Tot – deus da magia não conseguiram reproduzir esta praga;

4a praga – praga das moscas – atingiu também os deuses do Egito; da mesma forma que a anterior.

5a praga – peste sobre os animais – o Senhor atingiu a deusa do Egito chamada Mesquenet (mulher ou vaca), Mut (pode ser abutre, vaca ou leoa);

6a praga – os tumores que todos os habitantes do Egito provaram – atingindo todo o orgulho dos egípcios, especialmente Faraó.

7a praga – Chuva de pedras – tocando nos deuses do fogo e destruindo todas as plantações do Egito;

8a praga – praga dos gafanhotos – atingindo assim Chu o deus da atmosfera; os deuses das lavouras.

9a praga – escuridão – Deus atingiu Rá ou o mesmo faraó que era a luz do Egito;

10a praga – Morte dos primogênitos – atingindo o orgulho final de faraó que era venerado e adorado como um deus. (fonte http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_deuses_eg%C3%ADpcios ).

Em todas essas pragas, somente um Deus tão grande e superior que qualquer outro “deusinho” seria capaz de ser relatado na Bíblia. Se foi Moisés que escreveu tudo nós não sabemos, mas uma coisa sabemos, podemos crer no Deus da Bíblia, e também no relato de Moisés, pois Esse Deus é maior e melhor do que os deuses do Egito. Como nos diz o Apóstolo Paulo em Rm 9:17 – “Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra.” 

Gostaria agora, terminando este texto, lembrar que as Escrituras Sagradas nos avisam sobre este tempo em algumas formas:

  • Há falsos profetas no meio do povo, v.1a.“assim como surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres” Não basta falar de Deus, é preciso ler com atenção todas as coisas; é necessário ser encontrado fiel a Deus e a Sua Palavra.
  • Cuidado com os mestres porque eles são falsos, v.1.b. Quantas pessoas são levadas pelos falsos ensinos. Eles têm propósitos malignos para desviar a fé e fazer-nos desacreditar da Palavra de Deus; nunca devemos esquecer que estes são mestres.
  • O ponto principal destes é negar o Soberano Senhor e a Jesus que nos resgatou, v.1c. “os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou,…”. O alvo das heresias em especial é Jesus Cristo e de forma geral o Senhor Jesus. Por isso, todo cuidado é pouco.
  • Duas razões porque eles fazem essas coisas: libertinagem e denegrir o “caminho da verdade”, v.2. “E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade.”Isto é exatamente o propósito da “desconstrução” da história bíblica. Por trás disto, há muito perigo e desvio, não devemos ser bobos em pensar que não há perigo. Levar-nos a desacreditar da literalidade da Bíblia, de sua veracidade e por fim crer que “não foi bem assim que aconteceu”.

5) A razão destes filmes é o lucro em cima do nome de Deus, avareza, mas haverá repentina destruição, v.3. “…também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme.”

Que o Senhor nos ajude nestes tempos a não cair nos erros dos quais os nossos tempos estão inseridos.

Na Paz do Senhor!

Pr. Edvaldo!


[1] BERANGER, Edvaldo. Hermenêutica em prática: Confrontos modernos e pós-modernos entre a hermenêutica subjetivista e a Exegese Reformada, São Paulo: Mackenzie, 2008.

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